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auto-terapia

um blog onde escrevo o que sinto e partilho as minhas ideias para quem quiser ler

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E não é que já vão 50!


CrisSS

Desde que fiz 50 anos que estou para escrever sobre o que significou para mim isto de ter quase meio século. Não vou dizer que foi fácil. Aliás pela primeira vez senti o peso de fazer anos e, principalmente, senti a responsabilidade de ter ainda mais alguns anos pela frente (se tiver sorte) e ter que os aproveitar bem! Ou seja, foi ao fazer 50 anos que percebi que talvez já tenha utilizado a maior parte do meu livre-passe para estar aqui na Terra... e esta é mesmo uma constatação terrível, uma ideia que pesa em nós e que nos ensombra o futuro, mais ainda, quando esse futuro é para nós ainda uma amálgama de cenários, mais ou menos desejados e de difícil concretização...

Claro que o contexto em que vivemos atualmente não ajudou, mas pressinto que mesmo sem este enquadramento pesado e de incertezas, esta seria uma data que teria sempre grande impacto em mim, carregada de um simbolismo inegável, sem dúvida, mas também decisiva porque estou a viver um momento de mudança, de projeto, de realização de sonhos, concretização de ideias e muita esperança de viver o meu propósito aqui nesta vida.

Não sou daquelas pessoas que têm muitas saudades do passado já vivido. De outras idades, de outras fases da vida, guardo inúmeras memórias, imensas recordações (boas e más) e alguns amigos, mas não queria voltar atrás, não queria voltar ao que já vivi, mesmo que bom, porque algo me diz que a vida não se repete e não conseguimos sentir outra vez aquilo que nos fez vibrar naquele momento do passado.

Também não sinto necessidade de ser mais nova. Pode parecer surpreendente, mas gosto da idade que tenho. Ok, talvez 45 seja mais sexy que 50 anos, mas voltar aos 20 ou mesmo aos 30, não obrigado! Agora, claro, adorava ter um corpo mais aproximado do que tinha com essa idade e mais agilidade e principalmente, ver melhor (estou em negação quanto a ter que usar ocúlos), embora assim também não vejo os cabelos brancos que finalmente chegaram, a encabeçar uma lista de pequenos males associados à idade e de que agora me queixo.

O que me mói são outras coisas... O facto de ser mãe de um pequeno de 3 anos ainda e ter já 50... A realidade de que os meus pais já têm quase 80... Mas acima de tudo, a evidência de que ainda tenho tantas coisas que gostava de fazer e já não sei se terei tempo para elas... E foi esta constatação que me levou a escrever este post.

Acho que cheguei àquela idade em que me faz todo o sentido aquela lista de sonhos a realizar que aparece muitas vezes em filmes. Vou ter que a fazer e vou ter que a colocar em local bem visível, não arrumada num livro esquecido, mas sim pendurada no frigorífico. E talvez não seja bem uma lista o que eu preciso aos 50 anos, antes um cronograma com datas muito bem definidas para os meus desejos se realizarem e de preferência com todos os recursos elencados para que esses desejos se tornem mesmo realidade. Ah, pois, amigos, não vale a pena fazer a lista, apenas por nostalgia do que poderia ser... À boa maneira da Cristina, se há uma lista é para se fazer, por isso vamos lá começar!

Não quero com esta lista trazer mais ansiedade para a minha vida ou mais frustação, por isso a lista deve ser muito realista e exequível, o que não quer dizer que não possa ser ambiciosa e comportar uma boa dose de risco, pois eu acredito que não se pode estar na vida sem arriscar...

Vou começar com pequenas coisas, como fazer a minha árvore genealógica para oferecer este Natal, ir fazer um Cruzeiro no Douro na próxima primavera, fazer uma peregrinação a Fátima a pé, ir à Escócia ver as pedras monolíticas e Castelos no próximo Verão, fazer umas férias numa montanha nevada sem fazer ski e outras nas Maldivas sem fazer nada, fazer um retiro espiritual em Bali assim que o Pedro durma sozinho, abrir o meu turismo rural nos próximos anos, entre muitas outras. Depois as mais difíceis: fazer ioga, meditar e caminhar diariamente, aceitar as coisas e as pessoas como elas são, não tentar mudar ninguém, mas contribuir sempre para que se possa ver os outros pontos de vista e ter empatia para nos colocarmos no lugar do outro, ser feliz todos os dias com as escolhas que faço e ser grata por todas as bençãos que a vida me deu!

Esta é a minha lista aos 50 anos, mas conforme for riscando coisas da lista outras poderão entrar, pois a idade o que traz é isso mesmo: a sabedoria para sabermos que podemos mudar, ou porque queremos outras coisas ou porque nem tudo vai correr como planeámos e a capacidade de nos adaptarmos e de conseguirmos começar outra e outra vez porque a coisa mais importante da lista é viver em pleno, sem medo de arriscar e amar sempre, de coração cheio, as pessoas, o planeta, a vida...

Pronto, e agora vão lá fazer as vossas listas!