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auto-terapia

um blog onde escrevo o que sinto e partilho as minhas ideias para quem quiser ler

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Vai onde te leva o coração...


CrisSS

Com esta frase que muito me diz (obrigada Susanna Tamaro) inicio um novo capítulo nestas minhas andanças pela escrita. Como este é um post sobre mudanças, comecei logo por ter de alterar o template do meu blog, que ao que parece não estava devidamente adaptado aos dispositivos móveis. Enfim, era um Velho do Restelo, como eu, que de vez em quando lá tem de fazer concessões à evolução tecnológica e atualizar-se como é suposto, em tudo diria eu, nos dias que correm. Ainda pensei alterar tudo, fazer um novo blog, dar-lhe um novo título, mas vocês sabem como é, em mim as mudanças são lentas, muito pensadas e não cedo a impulsos imediatos com facilidade, por isso por agora vamos andando em baby steps...

E agora que o meu blog já é mais mobile friendly (espero eu) vamos ao que tenho para vos dizer: finalmente mudei de vida! Digo finalmente, pois quem me conhece, realmente, sabe que desde há muito sonhava em mudar, de emprego, de local de residência, de vida mesmo! Como tal, cá estou de armas e bagagens, em Serpins, mais exatamente na Ribeira Cimeira, um lugarejo com 6 casas, apenas duas habitadas em permanência, onde se acede por estradas de terra batida e estamos a dois kilómetros do comércio mais próximo. Estamos a viver na casa que era dos avós maternos do meu marido, com os nossos dois filhos, um gato e três galinhas! Estamos em obras há oito meses e durante este período tentámos adaptar-nos e instalar-nos na nova casa e principalmente na nova vida que escolhemos.

Mas não foi fácil e continua a não ser... Serve este post um bocadinho como um aviso à navegação: confirma-se que não é fácil mudar de vida e por mais desejada e planeada que seja a mudança, o que eu aprendi é que não é imediata, como em quase tudo, leva o seu tempo, que pode ser meses, anos, depende da nossa história e capacidade de resiliência e adaptação. Mas chega um dia em que finalmente podemos dizer: estou em casa! E tudo passa a fazer sentido e percebemos que era mesmo isto que queríamos apesar de não ser exactamente o que tínhamos pensado...

Esta foi outra grande lição que aprendi com a mudança: podemos fazer grandes planos, ter tudo previsto e acautelado, ter sonhado cada pormenor - que nada vai ser igual ao que pensámos! A vida encarrega-se de nos mostrar outros caminhos, outras realidades, abre-nos outras perspetivas nas quais não tínhamos pensado e às vezes até dá a volta completa aos nossos planos... e o nosso papel é aceitar! Deixar ir! Perceber que não temos controlo e até talvez acreditar que as coisas não nos acontecem por acaso e que tudo tem alguma intenção, algum objetivo que podemos não ver no momento, mas que nos será revelado na altura certa e tudo passará a fazer sentido...

Também aprendi que os problemas que tínhamos, aqueles que achávamos que pura e simplemente ficariam para trás com a mudança, não desapareceram... estão presentes, mantêm-se e até se tornam mais agudos, mais acutilantes, como a dizer: "-então, resolve-me?" "-o que esperavas?" "-estou aqui como sempre estive e vais ter que me enfrentar se queres mudar de vida !" - e temos mesmo que nos voltar para dentro de nós e olhar para esse lado que dói, que permanece escuro, de que não gostamos e trazer-lhe luz e claridade e aqui a mudança pode ajudar, dá-nos força, coragem e persistência, porque não nos faz sentido ter uma nova vida e persistir nos velhos padrões, nos maus hábitos, nas relações tóxicas, e assim a mudança torna-se mesmo o motor da nossa evolução como indivíduos, como pais, como filhos, como companheiros até que seja possível vermo-nos como nos sonhámos.

Outra aprendizagem que fiz é que é muito diferente mudar sozinho ou em família. Não sei qual é pior ou melhor. Só sei que sozinho parece mais fácil, por que temos a ilusão de que só dependemos de nós para estarmos bem e felizes... Mas há a solidão e essa pode ser terrível! Em família, tens os outros para te apoiar, para te amar, para construir algo novo em conjunto, mas também para te enlouquecer, para te culpar, para te fazer sentir responsável se algo correr mal e se o sonho de todos serem felizes não se concretizar...

As mudanças, quer sejam impostas, quer sejam desejadas, são sempre mudanças e implicam deixarmos algo para trás, abandonarmos algo existente que já fez muito sentido para nós, perdermos referências, memórias, até pessoas, mas compreendi que tudo isso é necessário, que isso é viver, que não podemos estar aqui nesta caminhada pela vida sem mudar, sem conhecer o novo, o diferente, no fundo, sem evoluir.

Podem estar a perguntar-se se me arrependi: claro que não! Hoje sou uma pessoa diferente. Acho que estou mais madura. Estou a tentar ser mais paciente, menos controladora, quero viver mais no presente, no aqui e no agora. Quero ter mais tempo para mim e para aquilo que é realmente importante. Quero estar com as pessoas que me trazem paz e que também querem estar comigo. Quero estar mais atenta a mim, aos outros que me são próximos e ao que me envolve, ao que me rodeia, ao que me preenche a alma. Quero estar disponível para amar e para receber amor. Quero estar onde estiver o meu coração. Porque é isso que me vai fazer feliz e é isso que importa. Sempre!