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auto-terapia



Quarta-feira, 09.01.13

A arte de não fazer nada

Mais uma vez a dificuldade de gestão do tempo me ocupa o pensamento e me obriga a refletir. Há uns meses atrás estava com uma amiga a queixarmo-nos a esse respeito e tal como já vos falei aqui, concluimos que este não é um problema que nos aflija só a nós mulheres, mas sim a quase toda a gente que conhecemos...  

 

É dificil gerir o tempo de que dispomos e conciliar todas as áreas da nossa vida - pessoal, familiar, lazer, trabalho, hobbies, etc - e inevitavelmente o tempo pessoal é aquele que fica mais esquecido. E esse é o mais precioso!

 

Lá vamos arranjando tempo para aquele trabalho a mais que o chefe pede, para ir com os filhos às inúmeras atividades, para estar com o marido e demais família, mas deixamos de lado a ida ao ginásio que pagamos sem lá por os pés, a caminhada que decidimos passar a fazer todos os dias, o voluntariado que prometemos fazer, o jantarinho mensal com as amigas que combinámos, a simples leitura do romance que nos ofereceram no último aniversário... Todas estas coisas e muitas outras que intimamente gostávamos de fazer, não chegam nunca a concretizar-se, pois não conseguimos ter tempo para elas.

 

Todos os anos fazemos promessas de ano novo que juramos cumprir e, se pensarem nisso, essas promessas têm sempre a ver com tempo pessoal, com iniciativas que implicam que nos dediquemos mais a nós como pessoas, que signifiquem passarmos mais tempo a olhar para dentro de nós, a conhecermo-nos e a aprendermos a gostar do que vemos. E isso é muito importante, e infelizmente é essa parte de nós que esquecemos e que deliberadamente deixamos para trás...

 

O problema é que se não arranjarmos tempo para nós, mais cedo ou mais tarde, também vamos deixar de ter tempo para os outros. Esse tempo pessoal é fundamental para o nosso equilíbrio, para nos manter saudáveis, para impedir que o nosso vazio interior cresça e ocupe todo o nosso ser. Nós precisamos de nos alimentar dessas atividades especiais, que nos dão prazer, que nos fazem sentir melhor e nos permitem ter disponibilidade e energia para os outros e para nos dedicarmos às restantes tarefas que temos diariamente.

 

Quantas vezes repararam que depois de sair de uma aula no ginásio, ou depois de sair com uma amiga para conversar, ou simplesmente depois de terem estado a ouvir a vossa música preferida num banho de imersão, estão muito mais pacientes e disponíveis para filhos, marido, mãe, sogra e o que for que aí vier!

 

Mas, devem estar a pensar, como raio é que nós havemos de conseguir ter esse tempo para nós? Quanto a mim, a solução que me ocorre passa por duas coisas que temos de passar a fazer: delegar nos outros e perder a mania de controlar tudo. Aqui está a chave para conseguirmos ter mais tempo disponível para o que nos dá realmente prazer.

 

Falo por mim, pois quem me conhece sabe que gosto de ter tudo sob controlo, mas sei que há por aí mais como eu! Principalmente, nós mulheres, temos de perder a mania de que somos super-mulheres. Temos que assumir duma vez por todas que não há mal nenhum em ter a casa desarrumada, em não ter um cargo de chefia na empresa (principalmente, se isso implicar que nem tempo temos para ir ao cabeleireiro), em convidar os amigos e servir-lhes frangos assados, em dizer aos sogros que não podem vir todos os fins-de-semana almoçar ou em dizer ao marido que não há cuecas lavadas na gaveta. Temos pena, como dizem os miúdos! Se quiserem façam e mesmo que não queiram é assim que tem de ser, pois acabou a nossa disponibilidade para ser pau para todo o serviço...

 

Por isso há que distribuir tarefas, renegociar acordos de partilha de responsabilidades, rever horários e funções atribuídas no local de trabalho, ajustar rotinas domésticas e acima de tudo por o coração ao largo e nem olhar para as limpezas que ficaram mal feitas pelo marido (só nós é que vemos isso), para a colega de trabalho que está em grande protagonismo (mas o filho é vítima de bullying e ela nem percebeu), para as amigas que fazem festas com grandes banquetes (mas nem querem saber de fazer amor com os maridos). Esqueçam tudo isso e pensem só no tempo livre que vão ter, na disponibilidade mental com que vão ficar para muitas outras coisas e na energia que vão acumular para serem mais saudáveis, mais equilibradas e, acima de tudo, mais felizes!

 

Pois é, temos que resgatar o nosso tempo pessoal e 2013 é o ano para isso! Nem que seja para nos dedicarmos ao ócio, que como definia um autor espanhol que li em tempos, é simplesmente a arte de não fazer nada...

 

 

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por CrisSS às 14:58


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