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auto-terapia



Quarta-feira, 23.01.13

O tabu intemporal

Acho que nunca se falou tanto de sexo como nos nossos dias e paradoxalmente para a maioria das pessoas este assunto ainda continua a ser um tabu! Todos os dias me deparo com situações, conversas, relatos nos quais concluo que as pessoas - homens e mulheres - não falam sobre sexo! E principalmente, os membros do casal não falam um com o outro...

 

Vem isto a propósito, por exemplo, do livro "As cinquenta sombras de Grey" e de toda a panóplia de comentários que eu já ouvi sobre o mesmo, que eu ainda não li, mas que faço questão de ler assim que puder! Desde mulheres que lêem o livro às escondidas dos homens até mulheres que lêem o livro às escondidas de todos, passando por mulheres que o leram e dizem que não o fizeram, já vi e ouvi de tudo. Há semanas atrás estava eu à espera no consultório do dentista e ouvi a conversa das recepcionistas sobre o dito livro, em que uma dizia que o lia no metro, mas tinha uma daquelas capinhas de livros para ninguém ver o que ela estava a ler!

 

E é assim que se trata o tema do sexo neste país, apesar de aparentemente ele ser bem visível no domínio público e nos media, parece que no domínio privado a coisa não é bem assim. O tema está embutido, encapotado, latente, mas nunca se torna visível, presente, palpável, nos discursos e nas vidas quotidianas. Evita-se falar de sexo, no casal, na família, entre amigos, mas pode-se ver filmes, ler livros, ver revistas sob o mesmo, até ir às sex- shops, desde que às escondidas...

 

Não digo que o sexo não seja um assunto privado entre duas pessoas (ou mais se assim o entenderem), mas o que eu quero dizer é que não acho aceitável nos dias de hoje uma mãe de trinta e poucos anos me afirmar horrorizada que a filha na escola no 3º ano tinha aprendido o aparelho reprodutor e estava a fazer perguntas às quais ela não queria responder, inclusive afirmando que a professora é que devia responder já que lhe estava a falar no assunto! Que isto se passasse na geração da minha mãe eu ainda compreendia, mas em pleno século XXI?

 

Não conseguirá uma mulher de 30 e poucos anos ter à vontade para falar de sexualidade com a própria filha? Então e com o marido, que comunicação existirá? Nenhuma acho eu, porque isto é mais um exemplo de que o sexo ainda continua a ser um tabu para muito boa gente.

 

Assim, não me surpreende que os relatórios da OMS ainda apresentem percentagens elevadíssimas de mulheres que não conseguem ter orgasmos ou viver em pleno a sua sexualidade, como também não me surpreende que os estudos sobre o divórcio concluam que só depois do dito é que os casais se apercebem de que não tinha uma sexualidade satisfatória para nenhum dos seus membros...

 

É aflitivo que não consigamos encarar como normal falar de uma das coisas mais naturais que ocupa os seres humanos e que é também uma da áreas fundamentais para o equilíbrio psicológico e emocional da maioria dos homens e mulheres.

 

E porque é que eu defendo que se deve falar sobre o assunto à revelia da maior parte das pessoas que defende que hoje em dia com a internet e a televisão toda a gente já sabe tudo sobre o tema da sexualidade? Pois eu acho que é precisamente por essa razão, porque se fala de mais sobre o tema e nem sempre de forma acertada.

 

Na internet o que os jovens aprendem é pornografia, não é lá que eles irão compreender que o sexo com afeto ou amor é muito diferente e mais interessante, para além de que ver sexo ou ler sobre sexo não é o mesmo do que falar com a namorada, amigos, pais ou alguém de confiança sobre o que se sente, o que lhes dá prazer, as dúvidas que têm.

 

Nas revistas, televisão e livros promove-se o sexo sem tabus, ou seja, defende-se todo o tipo de práticas sexuais, partindo do princípio de que todos os homens e mulheres devem ter sexo oral, sexo anal, sexo em grupo e usar brinquedos sexuais, o que deixa a maior parte das mulheres com sentimentos de frustação e culpa caso não sejam adeptas de todas essas variantes e os homens a pensar que por azar lhes calhou a única mulher que não alinha com o que é comum.

 

E muitos mais exemplos poderia dar da falta que faz falar realmente sobre sexo, comunicar com outros sobre o tema, sem preconceitos, sem medos, sem embaraços. Esta conversa pode e deve ser com o companheiro ou companheira, entre amigas, com a mãe, com o pai, com o médico, com a colega de trabalho e até com o especialista se sentir essa necessidade, desde que fale sobre o assunto...

 

Porque só falando sobre sexo, se conhece as necessidades que se tem, se conhece melhor o seu corpo, se conhece melhor o corpo do outro e as suas necessidades, ou seja, só assim se conseguirá viver a sexualidade de forma plena e com o prazer que lhe é merecido!

 

Sim, porque minhas amigas e amigos, como ouvi no outro dia dizer a um especialista na rádio : "Casamento sem sexo, não é casamento, é amizade!"

 

PS: Não se esqueçam de por já hoje a conversa em dia...

 

 

 

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por CrisSS às 15:19

Quarta-feira, 09.01.13

A arte de não fazer nada

Mais uma vez a dificuldade de gestão do tempo me ocupa o pensamento e me obriga a refletir. Há uns meses atrás estava com uma amiga a queixarmo-nos a esse respeito e tal como já vos falei aqui, concluimos que este não é um problema que nos aflija só a nós mulheres, mas sim a quase toda a gente que conhecemos...  

 

É dificil gerir o tempo de que dispomos e conciliar todas as áreas da nossa vida - pessoal, familiar, lazer, trabalho, hobbies, etc - e inevitavelmente o tempo pessoal é aquele que fica mais esquecido. E esse é o mais precioso!

 

Lá vamos arranjando tempo para aquele trabalho a mais que o chefe pede, para ir com os filhos às inúmeras atividades, para estar com o marido e demais família, mas deixamos de lado a ida ao ginásio que pagamos sem lá por os pés, a caminhada que decidimos passar a fazer todos os dias, o voluntariado que prometemos fazer, o jantarinho mensal com as amigas que combinámos, a simples leitura do romance que nos ofereceram no último aniversário... Todas estas coisas e muitas outras que intimamente gostávamos de fazer, não chegam nunca a concretizar-se, pois não conseguimos ter tempo para elas.

 

Todos os anos fazemos promessas de ano novo que juramos cumprir e, se pensarem nisso, essas promessas têm sempre a ver com tempo pessoal, com iniciativas que implicam que nos dediquemos mais a nós como pessoas, que signifiquem passarmos mais tempo a olhar para dentro de nós, a conhecermo-nos e a aprendermos a gostar do que vemos. E isso é muito importante, e infelizmente é essa parte de nós que esquecemos e que deliberadamente deixamos para trás...

 

O problema é que se não arranjarmos tempo para nós, mais cedo ou mais tarde, também vamos deixar de ter tempo para os outros. Esse tempo pessoal é fundamental para o nosso equilíbrio, para nos manter saudáveis, para impedir que o nosso vazio interior cresça e ocupe todo o nosso ser. Nós precisamos de nos alimentar dessas atividades especiais, que nos dão prazer, que nos fazem sentir melhor e nos permitem ter disponibilidade e energia para os outros e para nos dedicarmos às restantes tarefas que temos diariamente.

 

Quantas vezes repararam que depois de sair de uma aula no ginásio, ou depois de sair com uma amiga para conversar, ou simplesmente depois de terem estado a ouvir a vossa música preferida num banho de imersão, estão muito mais pacientes e disponíveis para filhos, marido, mãe, sogra e o que for que aí vier!

 

Mas, devem estar a pensar, como raio é que nós havemos de conseguir ter esse tempo para nós? Quanto a mim, a solução que me ocorre passa por duas coisas que temos de passar a fazer: delegar nos outros e perder a mania de controlar tudo. Aqui está a chave para conseguirmos ter mais tempo disponível para o que nos dá realmente prazer.

 

Falo por mim, pois quem me conhece sabe que gosto de ter tudo sob controlo, mas sei que há por aí mais como eu! Principalmente, nós mulheres, temos de perder a mania de que somos super-mulheres. Temos que assumir duma vez por todas que não há mal nenhum em ter a casa desarrumada, em não ter um cargo de chefia na empresa (principalmente, se isso implicar que nem tempo temos para ir ao cabeleireiro), em convidar os amigos e servir-lhes frangos assados, em dizer aos sogros que não podem vir todos os fins-de-semana almoçar ou em dizer ao marido que não há cuecas lavadas na gaveta. Temos pena, como dizem os miúdos! Se quiserem façam e mesmo que não queiram é assim que tem de ser, pois acabou a nossa disponibilidade para ser pau para todo o serviço...

 

Por isso há que distribuir tarefas, renegociar acordos de partilha de responsabilidades, rever horários e funções atribuídas no local de trabalho, ajustar rotinas domésticas e acima de tudo por o coração ao largo e nem olhar para as limpezas que ficaram mal feitas pelo marido (só nós é que vemos isso), para a colega de trabalho que está em grande protagonismo (mas o filho é vítima de bullying e ela nem percebeu), para as amigas que fazem festas com grandes banquetes (mas nem querem saber de fazer amor com os maridos). Esqueçam tudo isso e pensem só no tempo livre que vão ter, na disponibilidade mental com que vão ficar para muitas outras coisas e na energia que vão acumular para serem mais saudáveis, mais equilibradas e, acima de tudo, mais felizes!

 

Pois é, temos que resgatar o nosso tempo pessoal e 2013 é o ano para isso! Nem que seja para nos dedicarmos ao ócio, que como definia um autor espanhol que li em tempos, é simplesmente a arte de não fazer nada...

 

 

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por CrisSS às 14:58


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