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auto-terapia



Quarta-feira, 26.09.12

42 anos - e agora?

Esta questão da idade nunca me precupou sobremaneira. A ideia de fazer 40 anos também não me tirou noites de sono. Até posso dizer que achava piada àqueles artigos sobre os "entas" que descrevem esta fase da vida como sendo muito interessante e até de especial serenidade, onde predomina a experiência e, como é frequentemente referido pelos media, de uma intensa actividade sexual!

 

Até que fiz 42 anos e, assim como quem não quer a coisa, uma sombra pesou em mim, ou melhor uma nuvem ensombrou a minha disposição em relação a fazer parte do grupo dos "entas". Não, não estou a falar da crise (embora esta me afete e muito!), nem me aconteceu nada de especialmente desagradável, apenas dei comigo a pensar na vida (perigosíssimo) e a constatar que havia algumas coisas que ainda não tinha bem resolvidas e que o tempo para as resolver estava a passar...

 

Estou a falar de algo muito específico e que afeta principalmente as mulheres - o facto inesurável de que estamos a chegar ao dia em que deixaremos de ser mulheres em toda a sua plenitude - ou seja, em que deixaremos de poder continuar a ter o privilégio de ser férteis e de colocar filhos no mundo.

 

E uma questão que nunca até aqui me tinha preocupado, de repente torna-se num pensamento obsessivo e a ideia de um dia destes já não poder ter mais filhos revelou-se-me implacável! Pela primeira vez me confrontei com o meu envelhecimento e, como ansiosa que sou, apesar desse dia ainda não ter chegado, a sua sombra jaz sobre mim qual cadafalso à espera do criminoso.

 

Dirão vocês que esta ideia me preocupa porque eu ainda não tinha resolvido dentro de mim a questão de ter ou não ter mais filhos - e é verdade - mas garanto-vos que esta é mais uma realidade da condição feminina que deixa marcas e que quer já tenhamos tido filhos ou não, nos confronta com a lei da vida de forma muito incisiva...

 

Parece que nos estão a roubar algo muito precioso (e mais uma vez não estou a falar dos subsídios) e que de alguma forma nos define como mulheres e, é sem dúvida, um processo interno que nos marca, mais um momento de viragem no ciclo da vida, no fundo, é algo a que não conseguimos ficar indiferentes. Ou talvez não, porque agora me recordo de algumas mulheres que ao longo da vida se referiam à menopausa como um alívio, mas se bem me lembro essas eram também mulheres já com muitos filhos, para quem a fertilidade sempre significou gravidez, pois nunca conseguiram dissociar a sua sexualidade da concepção. Mas esse não é o meu caso e desconfio que muitas de vocês concordarão comigo independentemente do número de filhos que já tenham.

 

Para quem me conhece, esta pode ser uma revelação surpreendente, pois não sou propriamente o estilo de mulher maternal (se é que há um estilo), isto é, sempre me identifiquei acima de tudo, como mulher e profissional, e não tanto como mãe, apesar de, confesso-vos, com a idade, ter de reconhecer que a dimensão de mãe na minha vida ocupa um espaço muito maior do que o que eu talvez pensasse aqui há uns anos.

 

E acho que foi isto que eu constatei aos 42 anos: se calhar devia ter tido mais filhos, não devia ter sido tão racional, com a minha mania de fazer sempre a coisa certa, de fazer tudo "by the book" não tive um segundo filho (filha era o que eu queria!) e agora dizem-me que já é tarde, que já não posso, que é arriscado, que é insano por causa da crise (lá está ela outra vez) e eu só penso: mas porquê? e se eu quiser ter? quem manda na minha vida sou eu!

 

E agora para aqui estou sem saber, se é a minha veia autoritária que me está a mandar ter outro filho, se é o facto de o meu filho ter pedido um irmão pela 1º vez, se é a idade e o espectro da perda da fertilidade a pesar, se é a crise (é a culpada de tudo actualmente) ou se é simplesmente a ideia de ter uma menina linda nos meus braços... Ou é tudo junto! Mas o que é certo é que os meus 42 anos me estão a pesar como chumbo.

 

Por isso digo a todas as mulheres que se identificam com o que eu estou a sentir: não façam o que vos dizem para fazer! Não ouçam os médicos, os especialistas, os pais, os sogros, os irmãos, os amigos, os colegas de trabalho, os chefes e nem os maridos e companheiros! Isto que vos vou dizer é contra tudo o que eu sempre disse: não negoceiem com ninguém, não façam concessões, não se privem de nada! Façam apenas o que o vosso coração vos ditar!

 

Não pensem na falta de dinheiro, no marido que não quer, nas ajudas que não terão, pensem só em vocês. Sigam a vossa intuição, fiquem em silêncio com vocês próprias, ouçam o que de mais íntimo o vosso eu interior tem para vos dizer e só assim conseguem saber aquilo que realmente querem.

 

Eu cá vou começar já hoje essa viagem interior e depois digo-vos o que é que decidi... 

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por CrisSS às 13:34

Quarta-feira, 05.09.12

A difícil arte da auto-realização

Durante estas férias um dos temas sobre o qual pensei e partilhei ideias foi o da evidente falta de realização pessoal da maior parte das pessoas que conheço, incluindo eu própria. Não é um tema fácil, pois implica várias questões que vão desde a forma como a importância da auto-realização nos foi inculcada na infância até à discussão sobre a atual sociedade de consumo e a criação de necessidades até aqui inexistentes.

 

Para cada lado que me vire ouço colegas, amigos, conhecidos dizerem que não estão realizados, que não se sentem felizes, que sentem um imenso vazio, enfim, que não gostam da vida que levam! Uns conseguem ser mais objectivos e identificar porque se sentem assim, mas a maioria apenas se sentem perdidos, à deriva, à procura de alguma coisa ou à espera que algo aconteça... No fundo, parece que a vida não lhes pertence, que não são donos dela, que não a podem controlar, que não têm capacidade para mudar as coisas. E isso é o mais difícil: fazer mudanças!

 

Às vezes parece que é apenas uma sensação de que nos falta alguma coisa, mas não sabemos o quê, ou pior ainda não conseguimos vislumbrar forma de saber o que queremos realmente fazer!

 

No meu caso pergunto-me como é que cheguei aqui e fico surpreendida quando olho para o passado e me lembro daquela rapariga que parecia sempre ter resposta para tudo, cheia de certezas, e que se transformou na atual mulher cheia de dúvidas... Como é que passei da estudante confiante que afirmava convicta que queria ser socióloga e ajudar a sociedade (sem saber muito bem o que isso significava) para a técnica superior deprimida e muito pouco realizada profissionalmente? Não sei bem a resposta. Logo à partida teria a tentação de culpar os vinte anos de trabalho na administração pública, mas será que foi só isso? Foi a falta de motivação no meu local de trabalho que me mudou ou fui eu que me fui conhecendo melhor a mim própria e percebi que as minhas escolhas profissionais aos vinte anos não foram as mais acertadas e que deveria ter tido coragem para mudar!

 

Mas o que me deixa perplexa é porque é que umas pessoas ficam deprimidas porque não se sentem realizadas com o que estão a fazer e outras são capazes de fazer toda a vida o mesmo trabalho rotineiro, sem desafios, sem compensações e nunca se queixam.  Por exemplo, porque é que as pessoas que trabalham no campo toda a vida a fazer a mesma coisa não têm depressões, ataques de pânico e afins...

 

Há uns anos atrás, quando beneficiei do privilégio de dar aulas a estudantes universitários, tive oportunidade de lhes falar sobre a "Pirâmide das Necessidades" de Maslow, tema que deu azo a amplos debates sobre a satisfação das necessidades de realização pessoal, que são o topo da dita pirâmide. Dei comigo no outro dia a pensar que a resposta estava aí, pois antes de vivermos nesta sociedade de consumo, as nossas necessidades situavam-se apenas aos níveis básicos - alimentação, abrigo, segurança, e depois destas satisfeitas, então precisávamos de estima, afecto, amor, amigos e pouco mais. Agora temos amplas necessidades que nos fazem sentir constantemente em privação relativa em relação àquilo que ainda não temos e que gostaríamos de obter. Para além das necessidades materiais, também fomos bombardeados com o discurso sobre a realização pessoal, portanto como diria Maslow só nos sentimos bem psicologicamente quando nos sentimos autorealizados, o que implica que antes temos que nos sentir apreciados, reconhecidos como importantes nas estruturas onde estamos inseridos, sejam elas a família, o trabalho, o que for, e só nessa altura conseguiríamos atingir o nível máximo da pirâmide e desenvolver os nossos potenciais, sentirmo-nos úteis e "sermos tudo o que somos capazes de ser".

 

Esta última frase diz tudo e acho que explica porque é que algumas pessoas se sentem realizadas - porque se calhar estão a ser tudo o que se sentem capazes de ser e não têm expectativa de ser outra coisa... Alguns, como eu, estudámos, inserimo-nos em instituições, empresas, etc, e criámos muitas expectativas que foram defraudadas porque a sua concretização não dependia de nós. E assim o tempo foi passando e um sentimento de inutilidade foi-se apoderando de nós, uma sensação de que o nosso melhor não estava a ser aproveitado, de que tínhamos um potencial que se estava a perder e a frustação daí decorrente foi inevitável...

 

É realmente muito importante sentirmo-nos realizados e esse sentimento de auto-realização pode advir de várias áreas da nossa vida, desde que elas estejam perfeitamente identificadas para nós: algumas pessoas retiram essa realização pessoal dos filhos, da família, outras do voluntariado que praticam, outras da relação amorosa que têm, outras da profissão que desenvolvem e por aí adiante, ou seja, se identificarmos aquilo que nos faz sentir úteis e capazes sentimo-nos realizados!

 

Se não identificamos na nossa vida atual as áreas em que atingimos a realização pessoal, então, a mudança impõe-se! E aqui o problema é outro: porque é que uns são capazes de mudar a sua vida em dois tempos e partir para outra, como se diz, e alguns, como eu, têm tanta dificuldade em mudar...

 

Se eu não estou realizada porque é que não mudo a minha vida? Ando aqui a pensar em faze-lo, mas ainda não me decidi. Mas há-de chegar o dia em que vou conseguir, mesmo porque ainda não vos mostrei tudo aquilo que sou capaz de ser!

 

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por CrisSS às 14:05


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