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auto-terapia



Sexta-feira, 19.02.16

Eu, Cristina, cidadã europeia, cidadã do mundo...

Como sempre, apesar de andar arredada das escritas, todos os dias ao ouvir as notícias da manhã na rádio, algum facto me desperta interesse e convoca em mim um desejo urgente de me manifestar. Hoje foi a notícia sobre os desenvolvimentos na posição do Reino Unido sobre a sua pertença à União Europeia.

Não posso dizer que seja uma europeísta convicta, no sentido de fundamentalista, mas sei que a ideia de uma Europa comum - na defesa dos seus interesses, valores e principalmente dos direitos dos seus cidadãos - me agrada e considero que seja um projeto pelo qual se deve continuar a lutar. Gosto de poder circular livremente por este velho continente, apresentando apenas o BI, e gosto da possibilidade de ser cidadã europeia com os mesmos direitos que os meus restantes congéneres. Acho que estas conquistas da Europa Comum não se devem perder, pois isso seria um retrocesso civilizacional e demonstraria que não é possível vivermos em paz, em harmonia, num designío comum, onde o valor da tolerância impera.

Por isso custa-me ouvir os arautos da desgraça que estão já a afirmar que esta Europa não vai durar e que todo o esforço que alguns (não todos é verdade) desenvolveram para que ela fosse uma realidade, foi em vão, pois a união económica e monetária não passou de uma ilusão, de uma utopia. Mas eu gosto de utopias e acredito que sem elas o ser humano não consegue ser feliz, nem atingir todo o seu potencial...

Sei perfeitamente que a Europa Comum tem muitos problemas e que o sonho fundador está muito longe de ter sido atingido. Também não gostei dos últimos 3 anos nem das imposições externas a que o nosso país esteve sujeito. Mas lembro-me bem que ao longo destes 30 anos recebemos muito dinheiro dessa Europa e que muito do que conseguimos alcançar enquanto país e a evolução de todos os indicadores macro-sociais se deveu a esse dinheiro que nos chegou (embora pudesse ter sido muito melhor aproveitado, eu sei) e principalmente à legislação europeia que nos permitiu sair do atraso crónico em que nos encontrávamos e caminhar no sentido da modernidade, em questões como o ambiente, os direitos humanos, entre muitas outras.

Claro que também me preocupa a situação de todos esses portugueses que foram para o Reino Unido nos últimos anos e todos os outros que ainda estão para ir, procurando fugir à falta de emprego e principalmente de oportunidades de crescimento que é a realidade atual do nosso país. Alguns deles são meus amigos, parentes até. Mas também me preocupam todos os outros, muitos, que são pessoas que eu não conheço, nem preciso de conhecer para saber que estão desesperadas, a lutar pela sua sobrevivência e que vêm à procura precisamente dessa Europa da tolerância, da solidariedade, da proteção na doença, da educação para todos, no fundo aquilo que nos distingue dos seus países e continentes de origem. Vêm à procura do sonho europeu...

E o que distingue o nosso modelo de União Europeia são mesmo estes valores de entreajuda económica, de coesão social, de igualdade e a grande ideia de que os mais ricos ou os mais fortes, podem ajudar os mais fracos ou mais pobres. E é nisto que eu acredito e é por estes valores que me pauto. E só espero que uma grande maioria dos cidadãos ingleses assim também pensem quando chegar a altura de referendar a sua participação nesta Europa Comum. 

Embora a posição do Reino Unido não seja nova e as suas atitudes imperialistas também não, o que me preocupa é o efeito de contágio que a sua saída possa ter em outros Estados membros e a mensagem que passamos para o resto do mundo. Este não é o momento de nos dividirmos, mas sim o momento de nos unirmos. Todos sabemos que o mundo se encontra numa encruzilhada, mas acho que poucos aceitam que enquanto permanecerem os problemas de pobreza crónica, ausência de proteção na doença e acesso à educação de alguns países, muito dificilmente poderemos viver em paz aqui no nosso cantinho.

Mesmo porque já não faz sentido esta apologia do "orgulhosamente sós"... O mundo é global e temos que o aceitar em todas as suas dimensões e não só naquelas que nos interessam, como podermos comer mangas e salmão todos os dias, apesar de eles não fazerem parte do nosso ecossistema local, ou podermos partilhar num segundo com todo o mundo as nossas férias no Brasil ou na Índia... E nós portugueses sempre fomos cidadãos do mundo, tal como a maioria dos seres humanos que sempre se deslocaram por toda a terra, desde os tempos primitivos, à procura de melhor clima, de melhores terras ou simplesmente de melhores condições de vida. A diversidade cultural é uma realidade e sem prejuízo das várias identidades nacionais ou étnicas, acho que só temos a ganhar com o contacto e conhecimento dessa diversidade, da cultura do outro, do diferente.

Não há máxima que melhor traduza o que aqui procurei expressar do que aquele velho slogan que foi mediático há uns anos - "Todos diferentes, todos iguais!" - e é mesmo disto que se trata quando pensamos nesta nossa União Europeia: somos muito diferentes, sem dúvida, mas todos temos também algo que nos aproxima, que é a nossa humanidade, o sentimento de pertença a algo universal, que nos aproxima e que nos faz ser solidários com o outro... Sim, porque acreditem, nós não existimos sem o outro, seja lá ele quem for!

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por CrisSS às 09:23


2 comentários

De Afonso Martins a 24.05.2016 às 16:52

força Cristina, adorei o filme!

De CrisSS a 16.06.2016 às 12:11

Obrigada!

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