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auto-terapia



Sexta-feira, 04.03.16

Adeus Marty... até sempre!

A minha Marty já não está entre nós... A minha Marty era o "mê" cão! O cão mais lindo do mundo (como eu lhe dizia...). E agora já não está aqui comigo e hoje ao acordar senti essa ausência em toda a casa e em todo o meu ser...

A Marty era um cão de água espanhol ou perro turco, como a veterinária insistia em chamar-lhe. Não conheciámos mais nenhum aqui nas proximidades e apenas uma única vez encontrámos uma cadela igual, mesmo igual, preta e branca, na estação de serviço da Ponte Vasco da Gama. E nem queríamos acreditar! Apesar de estarmos sem a nossa Marty, falámos imenso tempo com os donos e trocámos experiências e características dos nossos cães, que eram mesmo muito parecidos. Nunca mais vimos nenhum igual! Por isso a Marty era única! Por isso e por outras coisas...

A Marty veio à nossa vida por intermédio de uns amigos, grandes amantes de cães e de todos os animais, que a trouxeram de Sevilha, onde ela estava numa feira de adopção. Trouxeram-na para casa, deram-lhe banho, trataram dela e iniciaram a sua busca por uns donos, pois eles já tinham os seus cães e acharam que a Marty merecia uns donos especiais, só para ela. Apresentaram-na com o seu nome - "Martírio Del Gran Poder" - e com um cartão de visita onde se dizia que ela era - "Hija de la Perra de Huelva" - nascida na Andaluzia, cidade de Sevilha, a 1 de Abril de 2002, ilustrando o quão importante ela era e viria a ser mais ainda nas nossas vidas...

E foi assim que a Martírio chegou a 22 de julho a Portugal e umas semanas mais tarde à nossa vida, por graça de uma amiga que achou que este seria o cão ideal para mim e para o Mário com quem eu estava já a partilhar a vida. Fomos vê-la e, claro, foi amor à primeira vista, ficámos com ela e chamámos-lhe Marty, pois o nome de Martírio, pareceu-nos premonitório demais.

A Marty já tinha cerca de 6 meses quando a adoptámos e num cão isso faz muita diferença. É um pouco como os primeiros anos de desenvolvimento de um bebé, que são decisivos para a formação da sua personalidade. Com a Marty passou-se o mesmo e ela tinha todos os tiques de um cão que foi adoptado e cujo passado encerra uma história de abandono e algum sofrimento. Tornou-se um cão inseguro, medroso, mas também super-protetor, era a minha sombra, completamente dependente do nosso afeto e atenção...

A Marty era também um cão pastor. Ao contrário do que o nome da raça indicava não era uma amante de banhos, embora adorasse deitar-se na água para se refrescar. Mas o que ela gostava era de campo, de erva, de correr livre, de preferência atrás de alguém ou de outro cão. Agia como se estivesse a guardar um rebanho, impedindo os intrusos de se aproximarem e mantendo as suas ovelhas bem protegidas, não hesitando em dar uns toques de aviso se alguém se aproximasse de nós de repente. Mas era muito meiga, extremante carente e todos os nossos amigos que com ela privaram sabem o quão chata ela podia ser, quando queria festas e atenção. 

Era um cão muito inteligente (como todos, mas esta era a minha cadela) e nós conseguíamos comunicar de várias formas. Ela percebia tudo o que eu queria que ela fizesse e conseguiu arranjar forma de me comunicar o que precisava e em último caso se a comunicação falhasse, insistia em ganir até conseguir o que queria. E ganhava sempre!

A Marty era maravilhosa e veio também às nossas vidas para nos ajudar a sermos pessoas melhores... Como ela não era perfeita (como ninguém é) e tinha uns donos com a mania da perfeição, nem tudo foi fácil e cometemos muitas injustiças com a Marty, das quais nos arrependemos profundamente, mas sei agora que essa foi a sua missão... Como me doem as vezes em que lhe disse que ela era uma chata que não me largava, em que não me apeteceu levá-la à rua a dar grandes passeios, em que lhe dei uma palmada porque se atirava a toda a gente na rua ou quando ladrava furiosamente sempre que tocavam à campainha...  Tudo isto ela aguentou, porque era assim que ela era e não sabia ser diferente, nem conseguia mudar e cabia-me a mim aceitá-la como ela era, sem críticas, sem julgamentos, com paciência, tolerância e amor, pois é esta a única forma de amar alguém - incondicionalmente.

Sei agora o quão especial a Marty foi na minha vida e como sempre, às vezes só aprendemos tarde demais, e só quando ela começou a ficar doente e a perder as suas faculdades, nos apercebemos que nada do que nos irritava tinha importância... pois agora dávamos tudo para a encontrar debaixo dos nossos pés e tropeçar nela e sentimos a sua brutal ausência quando tocam à porta... 

A Marty veio para nos ensinar a aceitar a imperfeição, a sermos menos críticos, menos exigentes com os outros (e como isto é importante para educarmos os nossos filhos) e foi tão especial que até nos deixou no dia em que eu tinha recebido uma péssima notícia, que me iria deixar muito triste e revoltada e que assim foi aceite de outra maneira, pois agora sei que não posso mudar as coisas com raiva, arrogância e sobranceria, pois não é com luta que se muda ninguém (nem o comportamento de um cão ou de um filho), mas sim única e exclusivamente com amor e compaixão.

Por isso, Marty, peço-te que me continues a iluminar ao longo da minha vida e que não me deixes esquecer da lição que me ensinaste, pois quero que continues a viver em mim através da forma como me ajudaste a ser uma pessoa melhor e que isso seja visível para os que comigo lidam.

És especial, és o "mê" cão e és o cão mais lindo do mundo!

 

 

 

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por CrisSS às 08:56



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