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auto-terapia



Quinta-feira, 16.06.16

Acreditar no amor!

Vem este post a propósito do amor... e da celebração desse amor por parte de duas pessoas muito especiais e que me são muito próximas. É também uma reflexão sobre a coragem de amar e permanecer juntos na vida apesar de todas as dificuldades que isso acarreta... Mas é principalmente um texto sobre a beleza do amor, a importância da entrega ao outro e a necessidade de autenticidade na relação a dois.

Tudo à nossa volta nos faz ter sentimentos ambivalentes sobre o amor: tanto ficamos desesperados pelos supostos falhanços dos casamentos que nos fazem desacreditar no amor, como assistimos nas redes sociais e nos media a demonstrações extremas de amor e de afeto até ao final da vida que nos deixam de pernas bambas e de coração aos saltos. Tanto oscilamos entre estados de alma imensamente românticos que nos deixam agarrados à televisão a ver pares enamorados, com um lenço nas mãos e lágrimas nos olhos, como juramos nunca mais voltar a amar e desistir de vez desse grande animador de alma que é a paixão. E tudo isto é o amor!

Parece-me a mim que o amor é inevitável e que é impossível escapar-lhe. Acho até que não amar não é desejável, nem saudável e que o amor é o grande desígnio da humanidade. Quem não ama, não é humano e não pode estar equilibrado, pois também não é amado, por isso não está completo. A capacidade de entrega ao outro, de dádiva, de compaixão, tudo isto são manifestações do amor e são em última instância as pedras de toque da felicidade...

E aqui é que começa a parte de que nós não gostamos tanto: a felicidade não é imediata, é construída com o amor, diariamente, nos pequenos gestos e momentos do quotidiano, e implica a tal entrega e disponibilidade para o outro que dá algum trabalho, para não dizer muito... E para ajudar à festa, esse amor que nos dá tanta felicidade, também nos traz outra emoção, pasme-se, que é o sofrimento... e deste é que nós não gostamos mesmo nada!

Mas meus amigos, lamento informar-vos, é impossível amar sem sofrer. E não estou a falar da rejeição ou de quando o amor termina. Estou a falar de vermos o objeto do nosso amor triste, deprimido, doente ou afastado de nós, pois amar a sério implica sempre sofrer quando o outro sofre e quem não sente esse sofrimento é porque na realidade não ama... Amar alguém, dar-mo-nos ao outro, tem sempre como base o apego, tudo o que demos e recebemos do outro, que cria uma ligação indelével que nos une e nos torna vulneráveis, pois como diz o Principezinho, é o tempo que perdemos a cuidar de alguém e a criar um laço que torna essa pessoa especial e quando não a vemos sofremos...

Portanto, não há rosa sem espinhos e com a dádiva de amar alguém e ser amado vem também muito trabalho: persistência, perseverança, aceitação, tolerância, compreensão e alguma frustração e sofrimento.

E é por esta razão que queria homenagear duas pessoas que casam hoje, ao fim de alguns anos de vida em comum, com dois filhos e muito amor! Quero homenageá-los por várias razões: primeiro, pela coragem, pela persistência, pela aprendizagem mútua e principalmente pela entrega e compromisso com a relação. Sim, porque não julguem que é tudo maravilhas, que não houve desaires, que não houve lágrimas, discussões e amuos. Claro que houve e haverá sempre, pois somos humanos e é dessas matérias que somos feitos - contradições, traumas, desequilíbrios, inseguranças - mas o que importa é a nossa capacidade de perdoar, de compreender, de evoluir, de aceitar o outro como ele é e ao mesmo tempo tentar mudar, esforçar-mo-nos por sermos melhores, sempre, por mais difícil que possa ser...

Acredito que só assim uma relação possa durar. Acredito que o amor também é construído e que essa capacidade de continuar a acreditar nesse amor, depois dos problemas financeiros, das zangas, das crises pessoais, das frustações profissionais, das perdas familiares, é o segredo para uma relação que permanece e que cresce ao longo do tempo.

Claro que esse amor tem que ser alimentado e que tem que continuar sempre a haver prazer em viver a dois, porque de outra maneira não vale a pena. Cumplicidade é fundamental, rir juntos, falar, conversar, intimidade plena, são peças chaves da relação. Companheirismo, amizade e confiança também são fundamentais. Não acredito em relações em que não se respeita a diferença do outro, em que ambos se anulam e fingem ser o que não são, pois para uma relação funcionar ambos têm que encontrar espaço para crescer como pessoas individualmente e ao mesmo tempo voltarem sempre a encontrar-se no caminho em conjunto. Há que dar espaço ao outro para ser aquilo que quiser, desde que esse futuro imaginado tenha sempre em pano de fundo a vontade de partilha e de comunhão com o outro. Sem dúvida que isto é o mais difícil e que às vezes se traduz em altos e baixos na relação, mas acredito que desde que haja amor, com diálogo e com tempo, o equilíbrio pode ser conseguido.

A verdade é que a vida é uma caixinha de surpresas, passe o cliché, e temos que aceitar tudo o que ela nos trouxer - o bom e o mau - pois se não o fizermos é tudo mais complicado. A boa notícia é que somos nós também que construímos a nossa vida, na medida em que fazemos escolhas e optamos por ter uma determinada atitude perante o que nos vai calhando em sorte. É aqui que nós podemos decidir que é muito mais fácil o caminho se este for feito a dois e é por isso que o amor é sempre a panaceia universal para as coisas menos boas que nos vão acontecendo e a única fórmula para se viver uma vida plena e rica, seja o amor em casal, seja o amor de filhos, pais, família, amigos, animais, no fundo o amor universal, aquele que eu acredito que é a energia divina...

Por isso, minha querida irmã, meu querido cunhado, muitos parabéns por continuarem a acreditar na força do vosso amor um pelo outro e pelos vossos filhos! Nunca desistam, nunca desesperem e acreditem sempre que a dois é tudo muito melhor!

 

 

 

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por CrisSS às 12:12



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